Presentazione mostra fotografica: Xetruá, Xetu, Marumbaxetú, Xetuá

Mostra fotografica dell’artista bahiano Iuri Marc per il concorso fotografico Pierre Verger 2021.

Xetruá, Xetu, Marumbaxetú, Xetuá – Salve a colui che ha brccia forti, polso forte! Signori di questa terra. Padroni delle forze che qui risiedono.

È nel fumo dei sigari, nel battito dei tamburi, è nel vento che scuote i rami e fa danzare le foglie.

È in questa terra, in questo Brasile indigeno e africanizzato che arrivano e danzano i caboclos, gli antenati di questo suolo e delle forze che lo abitano.

È nel segreto delle anforette, è nelle mani che lavorano instancabilmente, incrociando paglie, raccogliendo foglie.

La gente del Candomblé sa che l’energia sale dalla terra, da questa terra che i caboclos hanno condiviso con i corpi e gli spiriti degli africani; per questo si mette la testa a terra, con reverenza, con rispetto, per assorbire l’energia che passa incessantemente tra Orun e Aiyé, tra Cielo e Terra.

I frutti presenti in questa terra indigena ritornano come offerte nelle mani nere africane, mani di questi figli adottivi, che sono arrivati con i loro Orixás e sono stati accolti a braccia aperte dai caboclos e dalle forze ancestrali che risedevano e ancora risiedono in questa terra di croci e crocicchi.

In questa terra di incontri di corpi e anime.

E in questi incontri, in questi vai e vieni senza fine, in questo incarnarsi e disincarnarsi, succede che degli esseri umani venerabili ritornino a incontrare le nostre famiglie spirituali.

Il ritorno alla terra primordiale di Iya Cotinha de Oxalá, Agba Lagba (Anziana fra le anziane) della Casa de Oxumarê, nostra casa radice, ha silenziato i tamburi per la festa del caboclo Sete Serras, al terreiro Ile Axé Ewê della Iyalòrìṣà Dó di Ossain, Agba di questo famoso terreiro.

Ma il silenzio è solo lo spazio fra due battiti, è il momento di sospensione del respiro, è ciò che dà sentimento e forza al ritmo.

La calma di Oxalá si è appropriata di quel silenzio perché tutti potessero salutare Iya Cotinha, perché la sua pace di spargesse nei cuori di tutti.

Queste fotografie parlano di sacralità, dei silenzi dei lavori che precedono le feste; qui sono catturati momenti di intimità fra gli iniziati e i misteri della spiritualità.

L’incanto di questi spazi sacri sono resi eterni dal bilanciamento fra bianco e nero, tra ciò che non ha fine e l’infinito; sono finestre che mostrano un mondo di semplice magia, di ancestralità dei corpi terreni e delle anime.

SERIE

Xetruá, Xetu, Marumbaxetú, Xetuá

FOTOGRAFIE

Iuri Marc

TESTO NARRATIVO

Simão Amista (libera traduzione di Pai Leonardo di Airá

ANNO

07 | 2021

RINGRAZIAMENTI

Ilê Axé Ewê | Salvador – Bahia

Terreiro das Águas | Salvador – Bahia

Centro Cultural Candomblé Milano | Milano – Italia

Xetruá, Xetu, Marumbaxetú, Xetuá – Salve, aquele que tem braço forte, pulso forte! Os donos desta terra. Os padroeiros das forças que aqui residem.

É na fumaça do charuto, é no bater dos tambores, é no vento que chacoalha os galhos e faz dançar as folhas.

É nesta terra, neste Brasil indígena e africanizado que baixam e dançam os caboclos, os antepassados deste solo e das forças que o habitam.

É no segredo das quartinhas, é nas mãos que incansavelmente trabalham, cruzando palhas, juntando folhas.

O povo de terreiro sabe que o àṣẹ sobe da terra, desta terra que os caboclos compartilharam com os corpos e os espíritos dos africanos; por isso se coloca a testa no solo, com reverência, por respeito, para absorver a energia que perpassa sem cessar entre o Orun e o Aiyé.

As frutas que são presentes desta terra indígena são entregadas de volta como oferenda por mãos negras africanas, mãos destes filhos adoptivos, que chegaram com seus Òrìṣà e foram acolhidos de braços abertos para os caboclos e as forças ancestrais que residiam e ainda residem nesta terra de cruzos e encruzilhadas.

Nesta terra de encontro de corpos e almas.

E nestes encontros, nestas vindas e voltas sem fim, nesse encarnar e desencarnar, acontece que veneráveis seres humanos voltem ao encontro com nossas famílias espirituais.

A volta a massa primordial de Iya Cotinha de Oxalá, Agba Lagba da Casa de Oxumarê, silenciou os tambores na festa do caboclo Sete Serras, no terreiro Ile Axé Ewê da Iyalòrìṣà Dó de Ossain.

Mas o silêncio é só o espaço entre duas batidas, é o momento de suspensão de respiro, é o que da sentido e força ao ritmo.

A calma de Oxalá se apropriou daquele silêncio porquê todo o mundo pudesse saudar Iya Cotinha, porquê sua paz se derramasse nos corações de todos.

Estas fotografias contam do sagrado, do silêncio das obras que antecedem os festejos; nelas estão capturados momentos de intimidade entre iniciados e os mistérios da espiritualidade.

Os encantos deste espaços sagrados são eternizados no balanço entre o branco e o preto, entre o que não tem fim e o infinito; são janelas que mostram um mundo de simples magia, de ancestradilade dos corpos da terra e das almas.

SÉRIE

Xetruá, Xetu, Marumbaxetú, Xetuá

FOTOGRAFIA

Iuri Marc

TEXTO NARRATIVO

Simão Amista

ANO

07 | 2021

AGRADECIMENTO

Ilê Axé Ewê | Salvador – Bahia

Terreiro das Águas | Salvador – Bahia

Centro Cultural Candomblé Milano

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